DINHEIRO COM DESCONTO?

DINHEIRO COM DESCONTO?

Acredito que tudo começou na Black Friday do ano passado. Não sei se chamou a sua atenção, mas os bancos ofereceram desconto nos empréstimos! Achei aquilo muito estranho… Parecia um presságio do fim do mundo, mas era uma grande sacada dos bancos tratando o dinheiro como produto. Um bem de extrema necessidade em tempos de crise, porém de alto risco e complexidade para quem toma emprestado. Afinal quem precisa ou está com giro baixo ou já está com seu caixa . O desconto ajuda, mas não resolve.

Desconto para objetos de desejo, caros, de alta tecnologia ou de marca são compreensíveis numa ação como a Black Friday. Na verdade, esse evento nasceu para isso. Mas quando temos instituições financeiras oferecendo vantagens desse porte e nesse formato é importante ficar atento.

Para completar o cenário, ao longo do mês de abril vimos uma enxurrada de ofertas de meios de pagamento – operadoras de pos, as famosas maquininhas – oferecendo taxa zero ao longo de 30, 60, ou até mesmo 90 dias. Isso mesmo! Eles não vão cobrar nada para você usar o sistema. O que o cliente pagar, você receberá integral.

Pegadinha 1: o aluguel é mais alto e você compensa a isenção da taxa no aluguel da máquina. Pegadinha 2: a taxa só serve para quem mudar ou contratar o serviço pela primeira vez e ficar fidelizado por pelo menos um ano com a taxa real que virá a partir dos 30, 60, ou 90 dias de carência.

Está claro que este movimento de aumento do número de competidores no segmento e agressividade comercial para conquista de clientes é resultado da desregulamentação do setor e quebra do monopólio, que ocorreu na virada da década de 2010. Achei inclusive que demorou para que essa competição começasse de fato.

Tudo isso são estratégias comerciais válidas para produtos e conhecidas há bastante tempo. A taxa zero já era usada nos financiamentos de veículos, quando você se comprometia com sinal de 60% e o saldo em 12 parcelas sem juros. O que chama atenção é que a grande maioria dos operadores passa a oferecer o mesmo benefício quase que simultaneamente. O primeiro lança a sacada e os demais copiam rapidamente, às vezes até com prazo maior. Me lembrou até a guerra das telefônicas em 2016, que a cada semana uma copiava a promoção da outra. Chegava a ser divertido. Agressividade comercial e mercadologia sem diferencial claro e sem barreira de entrada. Deu no que deu.

Voltando às maquininhas, nos últimos 10 anos o volume movimentado por cartões por meio delas triplicou, passando de 493 milhões de reais em 2007 para 1.36 trilhão de reais em 2017. Ainda falando sobre números, a expectativa é que em 2025 as transações em cartão ultrapassem as transações em dinheiro vivo no país.

Podemos ter aqui uma grande oportunidade de empurrar as tarifas para baixo e reduzir o custo pesado da operação financeira no país que sobrecarrega todo empreendedor. Desde que foi desregulamentado, economistas estimavam que o custo dessa operação baixasse 25%, mas nesses quase 10 anos só caiu 5%. Tem margem para os bancos baixarem e para nós economizarmos na operação.

Só cuidado para não entrar numa ratoeira que nos prende com contratos e fidelizações.

Fique atento, entenda o movimento e seja proativo. Na siga a manada, crie seu próprio caminho.

Forte abraço e #TenhaCicatrizes.

Alessandro Saade, brasileiro capixaba, descendente de libaneses, empreendedor compulsivo, professor, aprendiz e apaixonado por aprender e provocar.

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