Erro de Paralaxe

O título deste artigo me remete aos tempos de aluno de eletrotécnica, dono de estúdio e baterista profissional. Já vai um bom tempo…

Ele diz respeito ao erro que ocorre pela observação errada na escala de graduação causada por um desvio óptico causado pelo ângulo de visão do observador”.  Se você olha da posição errada, a “leitura“ do resultado pode sair sem precisão, apesar da medição ter sido correta.

Trazendo o conceito para o nosso mercado, gostaria de provocá-lo, perguntando de você  analisa o mercado da posição certa. Está acompanhando as mudanças?

No final do ano fui aos Estados Unidos me atualizar num curso de empreendedorismo e uma das muitas revistas que comprei, e li, neste período trazia uma lista de produtos e serviços que desaparecerão ou terão seu momento ou forma de consumo alterados. Não diz respeito direto ao nosso mercado de música e entretenimento, mas nos faz pensar seriamente sobre o que e como estamos fazendo negócios.

Por lá, o CUPCAKE GOURMET foi o primeiro abatido! Chega de frescura. Abusamos da indulgência. Voltemos às simples coberturas de confeitos e vamos comer bolinhos”, dispara a revista. Logo em seguida foram as FRESCURAS PARA PETS! Chega de spa para seu gatinho, aulas de natação para sua tartaruga ou mesmo manicure para seu cachorro. “Eles são animais… Não estão nem aí para isso.” Até as COMPRAS COLETIVAS estão na mira da revista. Vale mesmo a pena comprarmos aquela massagem que não precisamos, com um dinheiro que não temos, só porque está com 50% de desconto? Não é porque todos estão fazendo que vai continuar funcionando. E às vezes jamais funcionou direito mesmo…

Lembro dos meus gravadores de rolo TEAC/TASCAM, lindos, robustos, imponentes, com sua rotação cadenciada,  fazendo os rolos dançarem um verdadeiro balé. Já pensou se não tivessem evoluído para outros tipos de registros sonoros? O negócio deles não é gravar em rolos magnéticos. O  negócios é o registro de som, não importa a mídia formato. É o mesmo princípio que há 30 anos levou a Shell deixar de ser uma empresa de petróleo para ser uma empresa de energia! E desde então, neste novo guarda-chuva cabe tudo: novos patamares tecnológicos, preparo para novas demandas técnicas e jurídicas e, novos insumos energéticos.

Com o nosso mercado não é diferente: foco no cliente, em como ele usa os nossos produtos e serviços e muito cuidado na observação. Se mal analisado, podemos aumentar o problema e não solucioná-lo. Foco no problema ou na solução?

A tônica no curso foi foco no cliente em primeiro lugar. Em segundo lugar, foco no cliente. E para saber o terceiro ponto importante, pergunte ao cliente! Mas preste atenção em como ele fala, se comporta… Isso é tão ou mais importante que a resposta: os músicos jamais responderiam que desejariam um afinador eletrônico acoplado ao instrumento ou à pedaleira. Simplesmente lhe pediriam um diapasão diferente. Em vez de projetores que utilizam o sistema de prisma para gerar diversas cores, os técnicos responderiam que precisariam de um sistema mais rápido e confiável para a troca das gelatinas.

Não seu se já ouviu este caso, mas no inicio do programa espacial, os norte-americanos se depararam com um problema intrigante: as canetas esferográficas não funcionavam sem gravidade, impedindo o registro de informações importantes na missão. Juntaram então seus mais ilustres cientistas, e após um ano e um milhão de dólares,  desenvolveram uma caneta que escreve sem gravidade, em temperaturas baixíssimas e até de cabeça para baixo! Os russos usaram um lápis…

Entenda corretamente o problema, foque na solução, emule o comportamento do seu cliente e desenvolva cenários e encontre a solução correta!

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Ale Saade

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