FOME DE EMPREENDER – Juntando Educação, Empreendedorismo e Experiência

Desculpe, não resisti ao trocadilho. E já explico.

Ao longo deste ano levei meus alunos de cada uma das turmas dos MBAs onde leciono para uma aula prática. Fomos todos almoçar num Foodtruck Park, local com diversas opções gastronômicas, aqui em São Paulo. Claro que não paguei. O convite era figurado.

A proposta era que, em duplas, almoçassem num foodtruck diferente e depois de viverem a experiência como consumidor, entrevistassem o chef empreendedor com um questionário comum a todos os alunos.

Por ser um movimento bem recente, poderiam obter dados fresquinhos de falhas entre planejamento e execução, erros de análise de cenário, melhores práticas e pontos de atenção. E depois, compartilharíamos tudo entre nós, para entender um padrão, as tendências, erros comuns, os inovadores, etc.

Pedi que entendessem aquele ambiente como um laboratório de inovação e empreendedorismo! E o resultado foi delicioso de comer e de compartilhar.

Muitos dos empreendedores entrevistados cometeram um dos erros mais comuns a todos os empreendedores: falta ou falha no planejamento. A grande vontade de empreender cega-os. Mergulham na ideia, no sonho, sem fundamentação, sem processo, sem indicadores de gestão. Isso os faz perder tempo, dinheiro e clientes.

Outro ponto comum, diz respeito à liderança e à capacitação da equipe. Ser muito bom na competência técnica, como ser um excelente cozinheiro, não o faz automaticamente um grande chef, nem mesmo um grande gestor ou líder. É necessário desenvolver outras competências, que identificamos ao longo do nosso papo, afinal, é um negócio de organograma achatado: o time fala direto com o mais alto executivo do negócio, que também é dono, ou no mínimo, com seu braço direito, um subchefe ou gerente.

Diferentemente de um restaurante ou uma lanchonete, o truck é compacto, cabe pouco estoque, pouca gente e tem pouco espaço para movimentação. Um bom layout até ajuda, mas bons processos são imprescindíveis. Outro ponto é a distribuição correta das tarefas. Muitos colaboradores são multitarefas, podendo ajudar uns aos outros, mas cada um tem que saber a sua exata responsabilidade e a importância dela no resultado final.

Logo, o planejamento prévio do dia é superimportante. Por exemplo, as compras de legumes, frutas e carnes, que são perecíveis. Ou pratos que precisem de um preparo prévio, como a massa de um waffle ou a costela que é feita na véspera para estar perfeita no dia seguinte. O ideal é que não sobre e nem falte. Que não perca dinheiro com descarte de comida nem deixe de vender por falta de produto. Como é um negócio de ciclo curto, é fácil aprender com o erro e fazer os ajustes necessários, caminhando numa melhoria contínua. Mas como muitas vezes também participam de eventos, é difícil acertar a previsão de compras baseada na estimativa de público dos organizadores. Um novo dia, um novo aprendizado, uma nova chance de aprender e acertar.

Aberta a bancada do truck, chega a hora da verdade. Não adianta ter uma produção gastronômica maravilhosa, se não tem ninguém comprando. A atração dos clientes e a conversão da venda são os pontos iniciais, ajudados pela sacada inovadora da abordagem ou do conceito, pelo design e pela comunicação visual: truck adesivado, aventais, camisetas, bonés, embalagens e material personalizados. O storytelling da sua marca conta muito do seu negócio, do espírito da sua comida, das crenças e verdades do empreendedor.

Com clientes, é preciso manter um fluxo, um ritmo. Fila só é bom para o dono. No máximo, mostra ao cliente que a comida é boa. Mas ele não curte muito esperar. Assim, é preciso ficar bem atento.

Resumindo, numa rápida e deliciosa tarde, pudemos ver todo o processo de criação de um negócio, da ideia à execução, bem como pudemos avaliar um ciclo completo do negócio. Os questionários preenchidos foram convertidos no Canvas dos Empreendedores Compulsivos e pudemos ver de forma clara e precisa acertos e pontos de melhoria de cada truckentrevistado!

Trazendo para o seu mundo, já pensou em trazer seus amigos inovadores e empreendedores do seu e de outros segmentos para um bate-papo? Se o empreendedor tem maturidade, este diagnóstico pode ser feito em qualquer segmento. Basta olhos curiosos e atentos, um bom papo e espírito aberto para receber contribuições para melhorar a sua operação. Afinal, uma definição de conceito que gosto muito é a que diz que Melhoria Contínua é melhorar o que está bom! E que inovação boa é inovação aplicada!

Ah… e semestre que vem vamos novamente! #Prepara!

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