Organização ou Organismo? Onde você trabalha?

Nada como começar o mês e a semana com uma provocação do Seth Godin, um dos pensadores de marketing e aprendizagem que mais admiro.

Perfeita para estes momentos de mudança constante e profunda. Vamos lá?

Organização ou organismo?

Talvez você trabalhe com uma organização. Elas têm sistemas, gráficos e caixas.

Mas a própria natureza de uma organização é que alguém a desenvolveu, a entendeu e precisa aprovar suas mudanças. Afinal, está organizado.

Talvez, em vez disso, você trabalhe com um organismo. Um organismo muda constantemente. As células se desenvolvem, morrem e são substituídas. Adapta-se ao ambiente atual ou desaparece.

Se você se envolve com uma cultura, se faz parte de um organismo, entenderá melhor o sistema em que ele vive. O organograma é insuficiente.

E, é claro, os organismos tendem a ser mais resistentes que as organizações.

Caso queira conhecer mais sobre o autor, recomendo visitar seu blog, clicando aqui.

É incrível fazer parte do #TimeEspro

 

Engraçado como a vida nos traz oportunidades interessantes quando menos esperamos. Em janeiro completei um ano na superintendência executiva do Espro – Ensino Social Profissionalizante, um dos mais deliciosos e arrojados desafios que recebi na minha vida.

Um ano de muito aprendizado num segmento que não estava no meu radar, apesar da minha extrema admiração pela causa da inclusão social por meio da formação e transformação do jovem para o mundo do trabalho.

Curioso que, mesmo sendo algo completamente diferente do que fazia, está 100% alinhado com meu propósito e minha visão de mundo, que levou à criação dos Empreendedores Compulsivos.

Ao longo de 2019 pude conhecer, entender e aprender a operação, as características do ambiente onde atuamos e a legislação da causa. Ainda falta muito, mas já evoluí bastante.

Fui também privilegiado por receber o que passei a chamar carinhosamente, desde o início, de Time Espro, não só pelo comprometimento e engajamento de todos, mas pelo brilho no olhar, vontade de fazer e capacidade de realizar.

Com esse Time entregamos um resultado acima do previsto no plano operacional de 2019, crescendo não só em número de adolescentes e jovens inseridos no mundo do trabalho, mas também em atendimentos e projetos sociais em todo o Brasil. Feito emblemático, num ano difícil, mas que ficou marcado por termos celebrado os 40 anos de existência da instituição.  

Os desafios para este ano não são menores. Precisamos focar e continuar crescendo em número de atendimentos e, com isso, aumentar o impacto de transformação social. Além disso, caminhar em direção da transformação digital, buscar novas formas de seguir a missão da instituição e melhorar ainda mais nossa atuação frente ao jovem, à sua família e à comunidade onde está inserido.

O Plano Estratégico que idealizamos para 2020, vem arrojado e com todo apoio do Conselho Diretor. Cheio de desafios, alguns já previstos em nosso planejamento, e outros novos, que entendo estarmos preparados para eles.

Mas para que possamos cumprir este plano, é necessário o comprometimento de todo o Time Espro, que certamente faz a diferença no impacto da vida dos nossos adolescentes e jovens espalhados pelo Brasil.

Da mesma forma, preciso que todos entendam e adotem os conceitos que reiteradamente divulguei ao longo de 2019: Resultado nas entregas, Ética na atuação, Agilidade na operação e Leveza nas relações. Precisamos ser “R.E.A.L”, conceito que incorporei, com autorização do Comitê de Inovação da Arcelor Mittal, onde tenho a honra de atuar como conselheiro.

Mesmo muito realizado nessa nova etapa à frente do Espro, confesso um dilema pessoal que tomou minha atenção no início deste período. Apesar de toda a transparência com o Conselho Diretor, sempre tive inquietação quanto à fronteira da minha condição de fundador dos Compulsivos, palestrante e mentor, complementarmente à atuação como superintendente executivo do Espro. Há mais de 15 anos criei e homologuei uma metodologia de desenho, validação e aceleração de negócios para PMEs – Pequenas e Médias Empresas, utilizada nos MBAs da BSP e da ESPM, pelo Sebrae e, principalmente, pelos mentores habilitados nos Empreendedores Compulsivos. A iniciativa já impactou mais de 30 mil empreendedores e negócios em todo o país.

Faço questão de reforçar que a minha vinda para o Espro me tirou da operação e fui direcionado ao conselho, mas atuar como palestrante e mentor, mesmo em menor volume é uma das formas de recarregar a energia, que certamente me fortalece na posição de superintendente e me deixa atualizado com as tendências de mercado.

Ao longo do ano percebi o óbvio. Que além de não existir conflito, já que são segmentos e públicos distintos, há uma enorme sinergia entre ambos, pois é impossível dissociar o mundo do trabalho dos jovens do empreendedorismo e da inovação, onde os Compulsivos atuam capacitando e transformando PMEs por todo o país.

Quero, ainda, compartilhar com vocês duas frases, que entre outras poucas, funcionam como um credo, e me acompanham por toda a vida.

A primeira é que “Sempre existe alguém começando algo novo”. Uma verdade. E a segunda, “Ninguém faz nada sozinho”. Essa foi mais dolorosa. Como leonino e empreendedor, algumas cicatrizes me fizeram entender o poder, o valor e a beleza da colaboração, que nada mais é que a mistura de visões e competências.

Baterias renovadas, coração tranquilo e alma plena, só posso agradecer todo o Time pela acolhida que recebi e reiterar o meu compromisso com cada um de vocês, e com a nossa causa.

Liderar a todos na direção de um novo tempo, com o Espro transformado em processos e formatos, mas imutável na crença e no propósito é o meu objetivo atual.

 

 

Artigo publicado originalmente no Linkedin em fevereiro de 2020.

Por que o seu cartão de crédito tem números em alto relevo?

Aposto que na sua carteira tem pelo menos cinco cartões: da sua conta bancária, de crédito, de benefício, entre outros. E a maioria deles tem algo em comum, que a maioria dos usuários não se incomoda nem questiona.

É curioso ver como a tecnologia evolui e vai mantendo características, processos ou expressões os tempos anteriores.

Por que no seu cartão de crédito seu nome e os números estão em alto relevo? Já tinha parado para pensar nisso?

Isso vem da época em que não tínhamos tecnologia digital. Não havia internet nem bancos e sistemas conectados.

Ao apresentar o seu cartão de crédito, o dono do estabelecimento pegaria um formulário carbonado (*) em três vias, encaixaria numa plataforma onde também encaixar o seu cartão. Então passaria um rolo sobre eles de modo que o relevo do seu cartão imprimisse seus dados no papel carbonado. Só então preencheria a irmão o valor e a data da compra. Por fim, entregaria para você assinar, destacaria uma via para ele, uma para você e outra para empresa emissora do cartão de crédito.

Era uma operação logística saber quem comprou, quanto e onde gastou. Era necessário esperar a chegada do malote com as vias daquele estabelecimento no emissor do cartão para calcular as faturas.

Faz tempo que a tecnologia mudou, usando no começo tarjas magnéticas e agora chips, que são lidos até sem contato físico por máquinas e sistemas. E ainda assim temos diversos estabelecimentos comerciais emitindo o cartão da mesma maneira que se fazia há vinte anos.

Mais uma mudança neste meio de pagamento que nasceu quando executivo de uma agência de marketing de Nova York saiu para jantar com seus clientes e percebeu que não tinha trazido dinheiro. Deixou o seu cartão de visitas com dono do estabelecimento para voltar posteriormente para pagar. Assim surgiu o primeiro cartão de crédito, inicialmente pensado para os momentos das refeições, o Diners Club.

Apesar de algumas fintechs já emitirem seus cartões sem relevo, o curioso é que estamos em vias deixar de usar cartões físicos como meio de pagamento passando para gadgets e wearables. Periga na sua morte, ainda termos alguns com relevo no seu plástico.

*

Para quem não sabe o que é uma via carbonada, era uma folha de já vinha com carbono fixado no seu verso.

Três mitos que não cabem em 2019!

Toda virada de ano é cheia de desejos, promessas e futuro.

Na minha coluna desta semana na BandNews FM Brasilia falei sobre uma matéria sensacional da revista Entrepreneur, que nos provoca a para de acreditas em três mitos sobre o sucesso nos negócios.

Um deles é de que “quanto mais duro você dá, mais sucesso você tem”. Este mito ignora a estratégia e a colaboração.

Clique e ouça meu podcast, ou se preferir, clique e leia a matéria na integra.

Um 2019 com felicidade, força, foco e fluidez.

Agora em novembro de 2018 foi aprovada a lei desburocratização. Até fiz um post no dia, pedindo que alguém me beliscasse, pois não estava acreditando na notícia. E juro: não era fake news.

Absurdo pensar que num país como o nosso, nos dias de hoje e com tanta tecnologia, ainda existisse uma lei que nos obrigasse a pagar a um órgão para dizer que a sua assinatura é sua. Mais ainda, para provar que aquela cópia do documento que você levou, ou pior ainda, que acabou de fazer na frente da pessoa, não é falsificada.

É triste perceber que partimos do pressuposto que sempre alguém estará fraudando o sistema. A responsabilidade de impedir que isso aconteça é do sistema e não de quem faz correto.

Entendo ainda que parte da perpetuação deste atraso absurdo venha do desejo de garantia de benefícios dos detentores dos direitos desses serviços, como fiscais, cartórios de órgãos afins.

Aos menos atentos e aos mais jovens, lembro que o sistema de cartório é uma herança da colonização portuguesa de carimbos, selos e rubricas. Faz tempo que arrastamos isso.

Com o aumento da busca pela transparência, o movimento tecnológico de blockchain, a digitalização de documentos e integração de sistemas, o passo foi dado na alçada federal.

O desafio agora é fazer essa informação chegar a todos e converter isso em agilidade e autonomia para as pessoas que fazem negócios nesse país.

É um passo importante de grande simbolismo e espero que de grande eficácia. Ainda precisamos estender a desburocratização às esferas estaduais e municipais. Você ainda precisa assinar a transferência do carro na frente do assistente do tabelião, para ele provar que a sua assinatura é sua mesmo.

Agilidade nas operações é um dos pressupostos do atual ambiente de negócios: operações comerciais são feitas em nanossegundos, entregas de produtos são medidas em horas e não mais em dias, mudança de processos, de infraestrutura e de estratégias de negócios são constantemente validadas e implementadas.

O passo foi dado no sentido permitir mais negócios e garantir um ambiente mais competitivo para nosso país ocupe seu verdadeiro lugar no cenário de negócios global. Mas isso só acontece com o ambiente interno equilibrado, ético, dinâmico e competitivo.

Vamos dar mais um passo?

Sawubona – a essência da comunicação das tradições africanas para a web

A expressão “Sawubona!” é um cumprimento existente na África do Sul que significa “Eu vejo você. Você é importante para mim”. Segundo a ética Ubuntu, você só existe por meio de outra pessoa. É a mais bela e profunda demonstração de atenção e respeito. Não há decepção ou desconforto maior – para não dizer humilhação –  que não ser percebido por outro no círculo de relações pessoais africano.

Se trouxermos para a nossa realidade, na busca por serem percebidos, jovens de uma geração inteira deixam de perceber a pessoa que está ao seu lado na mesa de trabalho ou do restaurante, para tentarem ser percebidos no mundo virtual das redes sociais, onde o “Sawubona” foi substituído pelo frio botão de curtir.

É um paradoxo que transcende a pessoa e invade as empresas, nas suas relações com os consumidores, internautas, fornecedores, admiradores e críticos da marca e dos seus produtos. Precisam interagir no mundo virtual, para terem mais chances no mundo real. Precisam estimular os internautas, possíveis consumidores ou embaixadores da marca, a conhecerem e interagirem com sua empresa, seu conceito e seus produtos.

Faz sentido, se pensarmos como um modo de perpetuação de negócios, no contato constante com o mercado e suas demandas. Mas é bem aí que desanda. Muitas empresas usam a internet como via unilateral, de mão única, falando muito e ouvindo muito pouco. A essência da “Sawubona” é a retribuição, eu lhe vejo, você me vê. Portanto, eu só existo por causa de você, “Sikhona” no idioma africano!

As pequenas e médias empresas, inebriadas pela facilidade e baixo custo de exposição na web, acabam perdendo a maior riqueza dela, o poder de interação. Grandes empresas já descobriram isso, e tiveram a oportunidade, por iniciativa dos seus admiradores e seguidores, de mudar rótulos, embalagens, fórmulas e até lançar novos produtos.

Este é o desafio das PMEs no mundo virtual. Como, por meio das características da sua empresa e dos seus produtos, elas serão capazes de, ao levantarem questões, identificar e decodificar as manifestações dos internautas a ponto de ajustar seu discurso, seus produtos, seu negócio.

Pode parecer muito difícil, mas não é. O segredo é coerência e disciplina. Coerência, porque a empresa é um ser vivo, que se ajusta diariamente ao mercado, aos seus colaboradores e a demais influências com as quais interage continuamente. Tudo isso em jamais esquecer sua essência, seus valores, suas crenças, sua razão de existir. É, tenha certeza, não é só o lucro. E disciplina, porque a relação é construída gradativamente, contato a contato, post a post, resposta a resposta, produto a produto. Contínua e ininterruptamente.

Existem inúmeras ferramentas para ativar a relação, coletar dados e percepções, enfim, de interação virtual. Mas o sucesso mesmo, só virá com a capacidade de ver o internauta, o seu interlocutor, o seu consumidor. Sem isso, nada funciona. Fique atento e “Sawubona” neles!

VOCÊ SABE A HORA DE PARAR? – Por que alguns empreendedores continuam insistindo e perdendo dinheiro com algumas ideias?

É curioso como muitos empreendedores simplesmente ficam inebriados com suas criações! O fato é que ideias maravilhosas, mesmo em mercados promissores, nem sempre dão certo.

E o mais curioso é que é algo recorrente, independente da época, independente do país. Aquela sacada para ganhar dinheiro com a Copa do Mundo de Futebol, a grande ideia para aumentar as vendas durante aquele grande festival de música, ou mesmo a nova modalidade de venda ou de atendimento que você criou para se diferenciar da concorrência.

Mudança, inovação, coragem, sempre estiveram presentes no DNA do empreendedor, do empresário arrojado. O risco é que o excesso de coragem, de arroubo, de confiança, o torne míope e prejudique a correta avaliação do resultado da estratégia recém implementada.

Tão importante quanto saber criar e ter a coragem de tentar, é saber perceber que é hora de mudar de rumo, ajustar a estratégia ou mesmo, desistir e parar. Mesmo que tenha muita certeza de que vai dar certo! É aquele momento em que o empresário fica se perguntando… E se eu tentasse só por mais três meses? E seu logo depois que eu parar, alguém começar e der certo? E se eu investir só mais um pouquinho?

Pois este pouquinho pode lhe obrigar a vender o carro para pagar as contas da sua teimosia. Pode custar um ano de lucro. Pode até mesmo lhe tomar a casa onde mora! Assustador? Pois a realidade é exatamente esta. Ainda mais quando estamos falando de empresas de médio e pequeno porte.

Não pense que estou aqui para desmotiva-lo ou desestimulá-los quanto à criação e à mudança. Pelo contrário! Acredito fortemente que a mudança é o que mantem as empresas vivas, o mercado aquecido e clientes e empresários felizes. Entretanto, a velocidade só tem utilidade na direção certa. Correr na direção contrária só o afastará mais e mais do seu objetivo. E pior do que gastar tempo e dinheiro, é gastá-los sem nenhum retorno para a empresa. Ou pior, gastá-los e piorar o resultado!

A relação com o cliente se constrói a longo prazo, mas o resultado da nova ideia vem rápido. Ou não vem! A máxima para novos negócios também vale para novas ideias e estratégias: modelagem é o segredo. Simule a operação em pequena escala e teste se dá certo. Entenda e corrija rapidamente os erros, eles servem para fortalecer o seu negócio. E só então aumente a operação, e seja agressivo nesta fase.

Portanto, ajuste a sensibilidade do seu radar, seja mais crítico antes de colocar uma ideia no ar, tenha controle e acompanhe todo o processo, e tenha a coragem de mudar ou mesmo parar a operação se entender que os esforços não estão trazendo resultados.

Tá esperando o que? Vamos mudar!

A SUA LOJA VAI FECHAR?

Como professor e consultor, tenho uma rotina apertada de leitura, que me mantém informado sobre o que acontece no mundo, mas principalmente, sobre o que pode vir a acontecer.

Numa dessas leituras, me deparei com uma matéria falado sobre o fechamento, nos Estados Unidos, de lojas especializadas em piano. A matéria, do Huffington Post, trazia outra informação ao menos curiosa: o melhor ano de vendas de piano nos Estados Unidos foi 1909, com mais de 360 mil unidades vendidas, contra algo próximo de 30 mil na virada da década. Sempre foi decrescente, ano a ano!

Em janeiro de 2015, foi fechada a última loja deste tipo, na região de Iowa / Illinois, depois de 30 anos de atividade. É um reflexo da inclusão da tecnologia no nosso dia a dia, da intensa relação da nova geração com artefatos digitais e, claro, da comodidade que a tecnologia permite: praticar com fone, a qualquer horário, com diversos timbres, etc… Nada que substitua a beleza e a pureza do acústico, mas o mesmo acontece com as baterias, sem chegar ao fechamento das lojas, mas testemunhando o crescimento das vendas dos instrumentos eletrônicos, frente às baterias acústicas.

Esses movimentos não acontecem do dia para a noite! Foi gradativo e poderia ter sido identificado e utilizado para ajuste de rota.

Veja por exemplo os novos negócios que surgem. Cada nova empresa busca formas inovadoras de se relacionar com os clientes, de ouvi-los com atenção.

Isso os coloca em tempo real com a mudança. Conseguem identificar tendências, desvios, novos padrões, enfim, tudo que possa ajudar na gestão e na perpetuação do negócio e da relação com o cliente, não necessariamente nesta ordem. Faz todo sentido! Mas é bem aí que desanda. Muitas empresas acabam usando a internet de forma unilateral, sem ouvir a rica contribuição do consumidor, sua opinião, suas criticas e sugestões.

Conhecer o ambiente e suas características faz muita diferença. Uma rápida olhada no mundo nos ajuda a perceber melhor as mudanças, ou pelo menos, nos mostra para onde devemos olhar. Um dos caminhos é quantitativo: periodicamente a 100 People Foundation faz um levantamento estatístico do planeta e o reduz a um universo de 100 pessoas! Isso mesmo! Como se o mundo todo fosse uma pequena vila! Neste contexto, por exemplo, nós latinos equivaleríamos a 9 pessoas! Mas somente 5 falariam espanhol e 3 falariam português! 25 não teriam telefone celular e somente 30 teriam acesso a internet!

A resposta de como vender para esta aldeia de 100 pessoas é praticamente a mesma de como vender para os clientes da sua cidade e como manter a sua loja viva: conheça e ouça o consumidor e o ambiente onde ele habita. Caso contrário sua loja será mais uma “loja de piano” a fechar… Fique atento!

FOME DE EMPREENDER – Juntando Educação, Empreendedorismo e Experiência

Desculpe, não resisti ao trocadilho. E já explico.

Ao longo deste ano levei meus alunos de cada uma das turmas dos MBAs onde leciono para uma aula prática. Fomos todos almoçar num Foodtruck Park, local com diversas opções gastronômicas, aqui em São Paulo. Claro que não paguei. O convite era figurado.

A proposta era que, em duplas, almoçassem num foodtruck diferente e depois de viverem a experiência como consumidor, entrevistassem o chef empreendedor com um questionário comum a todos os alunos.

Por ser um movimento bem recente, poderiam obter dados fresquinhos de falhas entre planejamento e execução, erros de análise de cenário, melhores práticas e pontos de atenção. E depois, compartilharíamos tudo entre nós, para entender um padrão, as tendências, erros comuns, os inovadores, etc.

Pedi que entendessem aquele ambiente como um laboratório de inovação e empreendedorismo! E o resultado foi delicioso de comer e de compartilhar.

Muitos dos empreendedores entrevistados cometeram um dos erros mais comuns a todos os empreendedores: falta ou falha no planejamento. A grande vontade de empreender cega-os. Mergulham na ideia, no sonho, sem fundamentação, sem processo, sem indicadores de gestão. Isso os faz perder tempo, dinheiro e clientes.

Outro ponto comum, diz respeito à liderança e à capacitação da equipe. Ser muito bom na competência técnica, como ser um excelente cozinheiro, não o faz automaticamente um grande chef, nem mesmo um grande gestor ou líder. É necessário desenvolver outras competências, que identificamos ao longo do nosso papo, afinal, é um negócio de organograma achatado: o time fala direto com o mais alto executivo do negócio, que também é dono, ou no mínimo, com seu braço direito, um subchefe ou gerente.

Diferentemente de um restaurante ou uma lanchonete, o truck é compacto, cabe pouco estoque, pouca gente e tem pouco espaço para movimentação. Um bom layout até ajuda, mas bons processos são imprescindíveis. Outro ponto é a distribuição correta das tarefas. Muitos colaboradores são multitarefas, podendo ajudar uns aos outros, mas cada um tem que saber a sua exata responsabilidade e a importância dela no resultado final.

Logo, o planejamento prévio do dia é superimportante. Por exemplo, as compras de legumes, frutas e carnes, que são perecíveis. Ou pratos que precisem de um preparo prévio, como a massa de um waffle ou a costela que é feita na véspera para estar perfeita no dia seguinte. O ideal é que não sobre e nem falte. Que não perca dinheiro com descarte de comida nem deixe de vender por falta de produto. Como é um negócio de ciclo curto, é fácil aprender com o erro e fazer os ajustes necessários, caminhando numa melhoria contínua. Mas como muitas vezes também participam de eventos, é difícil acertar a previsão de compras baseada na estimativa de público dos organizadores. Um novo dia, um novo aprendizado, uma nova chance de aprender e acertar.

Aberta a bancada do truck, chega a hora da verdade. Não adianta ter uma produção gastronômica maravilhosa, se não tem ninguém comprando. A atração dos clientes e a conversão da venda são os pontos iniciais, ajudados pela sacada inovadora da abordagem ou do conceito, pelo design e pela comunicação visual: truck adesivado, aventais, camisetas, bonés, embalagens e material personalizados. O storytelling da sua marca conta muito do seu negócio, do espírito da sua comida, das crenças e verdades do empreendedor.

Com clientes, é preciso manter um fluxo, um ritmo. Fila só é bom para o dono. No máximo, mostra ao cliente que a comida é boa. Mas ele não curte muito esperar. Assim, é preciso ficar bem atento.

Resumindo, numa rápida e deliciosa tarde, pudemos ver todo o processo de criação de um negócio, da ideia à execução, bem como pudemos avaliar um ciclo completo do negócio. Os questionários preenchidos foram convertidos no Canvas dos Empreendedores Compulsivos e pudemos ver de forma clara e precisa acertos e pontos de melhoria de cada truckentrevistado!

Trazendo para o seu mundo, já pensou em trazer seus amigos inovadores e empreendedores do seu e de outros segmentos para um bate-papo? Se o empreendedor tem maturidade, este diagnóstico pode ser feito em qualquer segmento. Basta olhos curiosos e atentos, um bom papo e espírito aberto para receber contribuições para melhorar a sua operação. Afinal, uma definição de conceito que gosto muito é a que diz que Melhoria Contínua é melhorar o que está bom! E que inovação boa é inovação aplicada!

Ah… e semestre que vem vamos novamente! #Prepara!

ASSINCRONISMO DE RITMO

Como baterista, sempre me preocupo com o tempo, com o andamento e o sincronismo entre os instrumentos. Chego a ser chato. Fico vendo se aquela frase de guitarra cabe direito naquele intervalo, se o baixista e o baterista estão em sinergia, enfim, se a banda soa como uma coisa única.

O mesmo vale para o mercado. Muitas vezes partimos atrasados para as grandes oportunidades de negócios, de ideias, de vendas e de relacionamento com nossos clientes. E na maioria das vezes culpamos os outros pela nossa falta de ritmo e de sincronismo.

Veja, imaginando que você tenha uma loja de instrumentos musicais, tenho certeza que você já tem um planejamento de compras no segundo semestre de todo ano para ter tamborim para vender no carnaval. Isso é fácil. Mas você está atento aos shows próximos da sua cidade, aos estilos musicais que têm nascido ou sumido, às ondas de novas bandas?

Já pensou em mapear seus clientes e prospects por estilo musical ou banda favorita? Já fez parceria com os principais promotores de shows e casas de espetáculo da sua cidade? Não, né? Pois saiba que hoje tudo está muito integrado. Do estúdio de ensaio, passando pela sua loja e chegando até o show, tudo se conecta. E novas tendências lá de fora podem ser grandes oportunidades ou ameaças ao seu negócio. Para ambas, você deve estar preparado. E conectado.


É você que conta a novidade para o seu cliente ou ele sempre faz aquela pergunta que você não tem resposta? Costuma navegar pelos diversos sites dos fabricantes de produtos e das bandas? Sua equipe tem uma relação boa com seus fornecedores? Estão sempre se capacitando e conversando sobre novidades e oportunidades conjuntas de negócio?


Estar bem informado nunca foi tão fácil e ao mesmo tempo tão desafiador. Entenda que este é um grande diferencial para melhorar a sua relação com seus clientes e por consequência suas vendas. Assinar newsletters das principais empresas do segmento, das principais feiras e das revistas é quase que uma obrigação. Só que prazerosa, afinal, vai estar lendo sobre a matéria prima do seu negócio. Isso vai lhe abrir novos horizontes e novas percepções. E então, com esse monte de novas informações, criará novas conexões e novas oportunidades.

Ainda bem que a tecnologia está ao seu lado. Aplicativos agregadores de notícias, por exemplo, vasculham a internet em busca de temas escolhidos por você, nas revistas e empresas que você determinou, e entregam isso limpinho, todo dia de manhã numa plataforma simples de usar. E na maioria das vezes, gratuita!

Imagine juntar seus clientes para conversar sobre um lançamento de produto ou uma nova tecnologia de gravação que esteja surgindo. Ou sortear por meio das redes sociais, entradas para shows. Ou ainda, fechar pacotes e convênios de cross seling, onde você passa a ser um vendedor do estúdio e o estúdio passa a ser um vendedor da sua loja. E isso vale para todo ponto de contato desta cadeia de negócios da música que estou descrevendo aqui.

Aumentar a vida útil da sua empresa depende da sua atitude e do seu time, frente ao mercado e os seus consumidores. Mais informação, mais assunto. Mais assunto, mais conexões. Mais conexões, mais vendas. Simples assim.